Turbilhão é uma palavra que define o que foi o dia de hoje (ontem), enfim, a terça-feira para mim, emocionalmente falando. Céus! Não deveríamos adquirir escudos com as experiências passadas?!
O problema é que adquirimos, mas os baixamos vez por outra para dar mais uma chance. E sei lá se o coração da gente fica mais sensível justamente por confiar no escudo que o protege, e aí vem uma flecha certeira que machuca mais do que antes, e sangra...
Ok, ok. Minha professora já me disse que eu falo demais por metáforas. Fato é que hoje tive o princípio de uma conversa que eu já esperava, mas doeu como se fosse de surpresa. Conversa essa relacionada ao [não] futuro de um envolvimento onde as duas pessoas estariam com intenções distintas. E o pior é que foi apenas uma prévia de um encontro que talvez se dê daqui a dois dias. UMA ETERNIDADE para meus padrões ansiosos.
Quisera não saber naquele exato momento que eu teria inevitáveis pensamentos conflitantes agitando a mente pelo resto do dia. Porém eu sabia. Sabia que não conseguiria mais me concentrar, tentando raciocinar acerca dos porquês, do que está realmente por trás das palavras sucintas do dito cujo, se estaria eu passando pela mesma situação de todas as outras, se meus fantasmas estariam aumentando a situação ou se de fato não seria o fim. Tudo junto e concorrendo com a racionalidade em duas vertentes: i) eu precisava pensar em trabalhar, pois ainda era recém de manhã e ii) era necessário também não supervalorizar a situação, nem dramatizá-la. Ainda não são fatos, são as minhas percepções.
Pfff... quem disse que eu conseguiria ficar calma?
Fui ao médico no final da manhã pensando no que deu errado. Voltei caminhando pela Rua da Praia tentando elencar estratégias para não me importar tanto. Fui almoçar com as amigas procurando conversar sobre outros temas a fim de esquecer. Retornei à empresa e passei a tarde alternando entre razão e emoção, fazendo um swap ferrado na mente, oh God! Conclusão? Nenhuma.
No fim das contas só quando vim embora para casa à pé é que pude arejar a mente e pensar nos outros fatores mais antigos que me tornam tão temerosa de sofrer, o que foi um alento. Caí na linha de raciocínio da reconstrução, pensando em tudo o que poderia mudar se eu pudesse voltar no tempo e recomeçar a partir de um ponto. Esse ponto seria 1998 e escreverei sobre isso em outra oportunidade. Dívida assumida.
Bem, após injetar uma boa dose de endorfina na academia já estava me sentindo relativamente bem. Eu, que tinha pensado em ligar para o Igor aos prantos no meio do expediente, já era capaz de sorrir e dar de ombros a "apenas mais uma história". Santa endorfina!
E ao final da noite me vi com uma mísera janelinha do MSN piscando para mim como sempre piscou. E só isso já foi responsável por jogar por terra 50% do meu sofrimento, pois ele não desistiu de manter contato... mas peraí? E agora? Quais serão as cenas dos próximos capítulos? Como eu devo me posicionar? O que ele quis dizer afinal? Ai meu Deus ai meu Deus ai meu Deus!
Aliado a isso outra janelinha do MSN piscou, contendo um sinal de fumaça desse gajo sumido. Justo hoje? Ma che significa tudo isso?
Aprendendo a acreditar mais em mim mesma
Havia um tempo em que eu repensava mil vezes a consequência das minhas palavras, morrendo de medo de magoar a pessoa para quem dediquei minha dose de sinceridade ou mesmo com medo de eu ter enfiado os pés pelas mãos, sendo precipitada e dizendo o que não deveria ter dito [ainda].
Hoje eu ainda me preocupo demais com as pessoas de quem gosto, mas tenho tentado aprender a considerar também a mim nessas horas. Pode ser que eu continue errando o tom, esperando mais do que as pessoas possam me ofertar, dizendo-lhes isso (soando até como cobrança). Há chances de eu não conseguir ficar quieta esperando o desenrolar dos fatos e expôr isto ao sujeito em questão e falar mais do que se diz nessas horas. Mas também é possível que eu realmente esteja certa ao me incomodar com a indiferença alheia, pois sou de carne e osso, e sou muito mais coração do que transpareço.
E estando certa, incomodada, entristecida e injustiçada, não é pecado contar isso para a pessoa, na esperança de ela reconsiderar suas atitudes.
Assim é que me sinto nesse exato momento: em uma gangorra de pensamentos oscilando entre o conforto de acreditar mais em mim mesma, ou melhor, valorizar mais a mim e a incerteza de talvez ter contribuído para afastar alguém de quem já gosto muito. Aliás, todo o problema desencadeado hoje é justamente porque a impressão que tenho (seja uma impressão equivocada ou não) é que só eu estou gostando nessa relação.
Mesmo após a breve conversa de hoje à tarde, e de "ouvir" que a pessoa irá pensar com atenção no que falei, estou desconfortável. Todavia menos desconfortável do que sempre estive em todas as vezes em que sacudi um relacionamento, pois creio que esteja aprendendo a me anular menos em função da pessoa do outro lado da linha.
Mas eu só queria que os relacionamentos fossem mais fáceis, sabe?
Hoje eu ainda me preocupo demais com as pessoas de quem gosto, mas tenho tentado aprender a considerar também a mim nessas horas. Pode ser que eu continue errando o tom, esperando mais do que as pessoas possam me ofertar, dizendo-lhes isso (soando até como cobrança). Há chances de eu não conseguir ficar quieta esperando o desenrolar dos fatos e expôr isto ao sujeito em questão e falar mais do que se diz nessas horas. Mas também é possível que eu realmente esteja certa ao me incomodar com a indiferença alheia, pois sou de carne e osso, e sou muito mais coração do que transpareço.
E estando certa, incomodada, entristecida e injustiçada, não é pecado contar isso para a pessoa, na esperança de ela reconsiderar suas atitudes.
Assim é que me sinto nesse exato momento: em uma gangorra de pensamentos oscilando entre o conforto de acreditar mais em mim mesma, ou melhor, valorizar mais a mim e a incerteza de talvez ter contribuído para afastar alguém de quem já gosto muito. Aliás, todo o problema desencadeado hoje é justamente porque a impressão que tenho (seja uma impressão equivocada ou não) é que só eu estou gostando nessa relação.
Mesmo após a breve conversa de hoje à tarde, e de "ouvir" que a pessoa irá pensar com atenção no que falei, estou desconfortável. Todavia menos desconfortável do que sempre estive em todas as vezes em que sacudi um relacionamento, pois creio que esteja aprendendo a me anular menos em função da pessoa do outro lado da linha.
Mas eu só queria que os relacionamentos fossem mais fáceis, sabe?
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Tati
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Bons ventos sopraram em outubro
Lembro que passei o mês de setembro inteiro cantarolando "Wake me up when september ends", do Green Day. Estava estranhamente ansiosa pelo término de um mês bastante agitado - e não é que setembro não estava sendo bom, pelo contrário - mas algo me agoniava. Algo que não soube traduzir em palavras. Algo que sequer pude esquematizar na mente. Simplesmente eu queria ver a cor de outubro!
Bom, minha surpresa foi ver o quanto esse desejo se materializou na minha vida e-xa-ta-men-te no finalzinho do mês. Nas últimas horinhas de setembro se iniciou uma história que tem feito meus dias mais felizes, através de uma pessoa incrível que conheci naquele dia 30 de setembro. Fico até arrepiada ao pensar nessa estranha coincidência de data! O fato é que minha sorte virou junto com a folhinha do calendário.
Não serei uma menininha que credita toda a felicidade do mundo a um relacionamento, é claro, muito embora é normal que nos sintamos fortalecidos ao saber que existe alguém do outro lado do telefone que nos quer bem, nos deseja e ainda por cima combina muito conosco. É assim que me sinto: grata por ter uma chance diferente de tudo de ruim que já vivi.
E disse que não creditarei felicidade eterna a essa [ainda nova] história porque além dela existe a minha vida cotidiana (e os velhos problemas). Tenho consciência de que ainda preciso trabalhar muitos aspectos da minha personalidade na terapia e isso está cada vez mais evidente ao longo das sessões. Ainda assim estou contente porque vejo uma luz no fim desse túnel confuso que sou, pois praticamente tudo o que o Igor me explica faz todo o sentido. Como é bom estudar a própria mente! E o mais fascinante é encontrar respostas para tudo o que me aflige. Claro que os pontos estão sendo estudados em doses leves e muito aos pouquinhos, mas o overview do que vem por aí está me estimulando muito.
Enfim: não escrevi mais desde que o mês virou, coincidentemente. Seria porque não estava necessitando organizar as ideias? Será que é porque estou me apoiando em outras ferramentas (meu caderninho da terapia, minhas escolhas acertadas, meu foco nos fatos instead of minha subjetividade)? Talvez porque a vida esteja me dando uma nova oportunidade de fazer direito o que sistematicamente eu fazia do jeito errado, ou seja, redescobrindo o prazer de uma relação saudável? Ou então porque possivelmente esteja apaixonada? Não sei. Penso que é um pouco de cada coisa.
Além disso, o mês de outubro foi gratificante em outros aspectos. Recebi um aumento de salário na empresa, sinal de reconhecimento. E veja só: um reconhecimento que eu não esperava nesse ano, já que vinha me sentido subutilizada, pouco motivada e bastante culpada pela baixa no rendimento. Estava me cobrando muito a respeito, mas sem forças para mudar. Quando menos esperei, recebi um feedback super positivo do meu gestor. E tal situação veio exatamente ao encontro do que o Igor me falara no início daquela semana: que eu deveria me focar nos fatos, não na minha interpretação subjetiva deles. O que isso quer dizer? Todo o mal estar que eu vinha sentindo e descrevi acima era produto da minha visão da situação em que me encontrava na empresa. O feedback positivo serviu justamente para provar que eu estava errada, maquinando percepções inexistentes.
O mês também serviu para reafirmar o quanto tenho amigos valiosos. Mesmo que alguns deles sejam relativamente recentes, são pessoas com quem posso contar veramente. Tão reconfortante!
Importante! O mês que terminou há pouco também me proporcionou o resgate de uma conversa que há muuuuuito tempo eu precisava ter com uma pessoa do passado. Sabe aquele papo de histórias inacabadas por falta de diálogo? Quando tu sabes que precisava dizer e ouvir palavras para finalmente ficar em paz? E sabe quando tu achas que jamais conseguirá resolver a questão? Pois resolvi. Ou melhor, resolvemos. E diferentemente do que eu pensava, reabrir o baú para revisitar as lembranças não foi ruim (ao menos para mim), mas sim serviu para reacomodar los recuerdos organizadamente, com anotações que explicam cada episódio, para finalmente poder guardar o baú em paz.
Diante de tudo isso, nem me importei em estar um ano mais velha. Além do meu aniversário, esse mês abrigou experiências incríveis que me fazem acreditar que de fato nosso ano novo pessoal inicia quando fazemos aniversário.
Ah! Ainda no meio de outubro fui ao show do Green Day em Porto Alegre. Nunca foi tão bom cantar a música de que falei no início deste texto a plenos pulmões. =) Como é bom quando tudo faz sentido.
Como é bom ver sentido na vida.
Bom, minha surpresa foi ver o quanto esse desejo se materializou na minha vida e-xa-ta-men-te no finalzinho do mês. Nas últimas horinhas de setembro se iniciou uma história que tem feito meus dias mais felizes, através de uma pessoa incrível que conheci naquele dia 30 de setembro. Fico até arrepiada ao pensar nessa estranha coincidência de data! O fato é que minha sorte virou junto com a folhinha do calendário.
Não serei uma menininha que credita toda a felicidade do mundo a um relacionamento, é claro, muito embora é normal que nos sintamos fortalecidos ao saber que existe alguém do outro lado do telefone que nos quer bem, nos deseja e ainda por cima combina muito conosco. É assim que me sinto: grata por ter uma chance diferente de tudo de ruim que já vivi.
E disse que não creditarei felicidade eterna a essa [ainda nova] história porque além dela existe a minha vida cotidiana (e os velhos problemas). Tenho consciência de que ainda preciso trabalhar muitos aspectos da minha personalidade na terapia e isso está cada vez mais evidente ao longo das sessões. Ainda assim estou contente porque vejo uma luz no fim desse túnel confuso que sou, pois praticamente tudo o que o Igor me explica faz todo o sentido. Como é bom estudar a própria mente! E o mais fascinante é encontrar respostas para tudo o que me aflige. Claro que os pontos estão sendo estudados em doses leves e muito aos pouquinhos, mas o overview do que vem por aí está me estimulando muito.
Enfim: não escrevi mais desde que o mês virou, coincidentemente. Seria porque não estava necessitando organizar as ideias? Será que é porque estou me apoiando em outras ferramentas (meu caderninho da terapia, minhas escolhas acertadas, meu foco nos fatos instead of minha subjetividade)? Talvez porque a vida esteja me dando uma nova oportunidade de fazer direito o que sistematicamente eu fazia do jeito errado, ou seja, redescobrindo o prazer de uma relação saudável? Ou então porque possivelmente esteja apaixonada? Não sei. Penso que é um pouco de cada coisa.
Além disso, o mês de outubro foi gratificante em outros aspectos. Recebi um aumento de salário na empresa, sinal de reconhecimento. E veja só: um reconhecimento que eu não esperava nesse ano, já que vinha me sentido subutilizada, pouco motivada e bastante culpada pela baixa no rendimento. Estava me cobrando muito a respeito, mas sem forças para mudar. Quando menos esperei, recebi um feedback super positivo do meu gestor. E tal situação veio exatamente ao encontro do que o Igor me falara no início daquela semana: que eu deveria me focar nos fatos, não na minha interpretação subjetiva deles. O que isso quer dizer? Todo o mal estar que eu vinha sentindo e descrevi acima era produto da minha visão da situação em que me encontrava na empresa. O feedback positivo serviu justamente para provar que eu estava errada, maquinando percepções inexistentes.
O mês também serviu para reafirmar o quanto tenho amigos valiosos. Mesmo que alguns deles sejam relativamente recentes, são pessoas com quem posso contar veramente. Tão reconfortante!
Importante! O mês que terminou há pouco também me proporcionou o resgate de uma conversa que há muuuuuito tempo eu precisava ter com uma pessoa do passado. Sabe aquele papo de histórias inacabadas por falta de diálogo? Quando tu sabes que precisava dizer e ouvir palavras para finalmente ficar em paz? E sabe quando tu achas que jamais conseguirá resolver a questão? Pois resolvi. Ou melhor, resolvemos. E diferentemente do que eu pensava, reabrir o baú para revisitar as lembranças não foi ruim (ao menos para mim), mas sim serviu para reacomodar los recuerdos organizadamente, com anotações que explicam cada episódio, para finalmente poder guardar o baú em paz.
Diante de tudo isso, nem me importei em estar um ano mais velha. Além do meu aniversário, esse mês abrigou experiências incríveis que me fazem acreditar que de fato nosso ano novo pessoal inicia quando fazemos aniversário.
Ah! Ainda no meio de outubro fui ao show do Green Day em Porto Alegre. Nunca foi tão bom cantar a música de que falei no início deste texto a plenos pulmões. =) Como é bom quando tudo faz sentido.
Como é bom ver sentido na vida.
Fui feliz em Buenos Aires
Segundas-feiras nunca são agradáveis por definição; mas as minhas passaram a ser particularmente difíceis em função da terapia. Não é que eu não esteja curtindo - muito pelo contrário, tomo um táxi-lotação em direção ao consultório com muito gosto - porém após remexer no lado B, ocorre que sempre saio totalmente atordoada pelo rearranjo mental/emocional proporcionado pelo Igor, e passo o resto da tarde repensando no que foi remexido. Não bastasse isso, segundas e quartas é dia de aula de desenvolvimento de pessoas na universidade, onde a professora costuma fazer mesas-redondas para discutir competências, planos de carreira, anseios e tudo o que houver de mais subjetivo a esse respeito. Justo agora que não sei mais o que pensar da vida, ela cobra meu posicionamento sobre minha carreira. Ai, céus! Em resumo: segundas-feiras têm me deixado moída por dentro.
Mas não é sobre isso que quero escrever hoje - até porque não tem nada a ver com o título ali em cima. O fato é que na consulta de ontem fui introduzida ao humoródromo, que é uma escala de medida do meu estado de espírito atual. Para estabelecer os valores superior e inferior dessa escala, Igor me questionou qual foi o momento em que me senti mais feliz em toda a minha vida e o momento em que me senti terrivelmente entristecida. Com um pouco de reflexão e certa facilidade consegui eleger o episódio que me derrubou até o fundo do poço, entretanto pensar no lado up da escala foi bastante duro. Ou seja, percebi naquele momento que eu não tinha tido um momento de extrema felicidade que se destacasse. Não bom, não bom. E acabei reportando uma situação de caráter profissional, não muito convincente nem para mim, mas foi o que me ocorreu na hora.
Porém assim que saí do consultório e tomei uma rajada de vento no rosto veio um insight de quando fui o mais próximo de feliz que se pode ser nessa vida medíocre que vivo. Foi na semana de férias que passei em Buenos Aires no último verão. Mas... por quê? Essa foi a pergunta seguinte.
Talvez por ter me desligado totalmente do cotidiano. Talvez por estar encarando sozinha uma experiência nova. Quem sabe porque estava aberta a conhecer pessoas novas, desafiada a compreender e me fazer entender em diversos idiomas, sem saber que planetário habitaria o mesmo quarto que eu no hostel a cada noite. Ou porque me via perdida por uma cidade semi-conhecida com pessoas que nunca vi na vida mas que se tornaram bons amigos imediatamente. Ou ainda por não ter nenhum compromisso rotineiro - nem louça, nem softwares, nem livros acadêmicos, nem supermercado - e estar verdadeiramente livre. Por descobrir todos os dias lugares novos, viver experiências inéditas e poder passar o dia sob o sol. Enfim, eu fui feliz em Buenos Aires.
Isso me fez pensar a respeito do que me motiva de verdade. Se nasci para passar 9h/dia dentro de um escritório pensando em problemas computacionais. Se Porto Alegre me basta. Se [tentar] ser bem sucedida é melhor do que ser livre. Se vou gastar outros 27 anos nessa vidinha.
Ou se minha felicidade está em qualquer outra cidade do mundo que não esta.
Mas não é sobre isso que quero escrever hoje - até porque não tem nada a ver com o título ali em cima. O fato é que na consulta de ontem fui introduzida ao humoródromo, que é uma escala de medida do meu estado de espírito atual. Para estabelecer os valores superior e inferior dessa escala, Igor me questionou qual foi o momento em que me senti mais feliz em toda a minha vida e o momento em que me senti terrivelmente entristecida. Com um pouco de reflexão e certa facilidade consegui eleger o episódio que me derrubou até o fundo do poço, entretanto pensar no lado up da escala foi bastante duro. Ou seja, percebi naquele momento que eu não tinha tido um momento de extrema felicidade que se destacasse. Não bom, não bom. E acabei reportando uma situação de caráter profissional, não muito convincente nem para mim, mas foi o que me ocorreu na hora.
Porém assim que saí do consultório e tomei uma rajada de vento no rosto veio um insight de quando fui o mais próximo de feliz que se pode ser nessa vida medíocre que vivo. Foi na semana de férias que passei em Buenos Aires no último verão. Mas... por quê? Essa foi a pergunta seguinte.
Talvez por ter me desligado totalmente do cotidiano. Talvez por estar encarando sozinha uma experiência nova. Quem sabe porque estava aberta a conhecer pessoas novas, desafiada a compreender e me fazer entender em diversos idiomas, sem saber que planetário habitaria o mesmo quarto que eu no hostel a cada noite. Ou porque me via perdida por uma cidade semi-conhecida com pessoas que nunca vi na vida mas que se tornaram bons amigos imediatamente. Ou ainda por não ter nenhum compromisso rotineiro - nem louça, nem softwares, nem livros acadêmicos, nem supermercado - e estar verdadeiramente livre. Por descobrir todos os dias lugares novos, viver experiências inéditas e poder passar o dia sob o sol. Enfim, eu fui feliz em Buenos Aires.
Isso me fez pensar a respeito do que me motiva de verdade. Se nasci para passar 9h/dia dentro de um escritório pensando em problemas computacionais. Se Porto Alegre me basta. Se [tentar] ser bem sucedida é melhor do que ser livre. Se vou gastar outros 27 anos nessa vidinha.
Ou se minha felicidade está em qualquer outra cidade do mundo que não esta.
Pensamentos soltos do dia #1
Sensação de viver uma vida medíocre.
Falta de amor é bem pior do que falta de dinheiro.
Gostaria de tomar uma pílula e adormecer por cerca de um ano, ininterruptamente. Ao acordar, que estivesse graduada e livre.
Eu seria feliz se pudesse colocar uma mochila nas costas e viajar sem obrigação de retornar.
Pessoas que largam seus empregos brasileiros para passar um tempo fora do país ou são corajosas desapegadas, ou tem família que banca tudo. Admiro as primeiras e repugno as últimas.
Trabalhar com gente estúpida acaba com o meu dia.
Minhas crises de ansiedade ainda vão me matar. E isso não é drama.
Gostaria de não ter obrigações paralelas por um bom tempo.
Passar 9h/dia dentro de um escritório tem acabado com meu ânimo.
Burrice e acomodação intelectual são diferentes, mas ambas irritam-me profundamente.
Odeio muito barulhos indesejados. Tipo zoeira no ambiente de trabalho quando é preciso se concentrar ou conversa fiada durante as aulas na faculdade.
Uma pessoa que não se importa em te dar feedback não merece seu pensamento.
É preciso urgentemente pensar em uma forma de ter uma vida digna (financeiramente) sem gastar a juventude sob uma luz artificial.
Falta de amor é bem pior do que falta de dinheiro.
Gostaria de tomar uma pílula e adormecer por cerca de um ano, ininterruptamente. Ao acordar, que estivesse graduada e livre.
Eu seria feliz se pudesse colocar uma mochila nas costas e viajar sem obrigação de retornar.
Pessoas que largam seus empregos brasileiros para passar um tempo fora do país ou são corajosas desapegadas, ou tem família que banca tudo. Admiro as primeiras e repugno as últimas.
Trabalhar com gente estúpida acaba com o meu dia.
Minhas crises de ansiedade ainda vão me matar. E isso não é drama.
Gostaria de não ter obrigações paralelas por um bom tempo.
Passar 9h/dia dentro de um escritório tem acabado com meu ânimo.
Burrice e acomodação intelectual são diferentes, mas ambas irritam-me profundamente.
Odeio muito barulhos indesejados. Tipo zoeira no ambiente de trabalho quando é preciso se concentrar ou conversa fiada durante as aulas na faculdade.
Uma pessoa que não se importa em te dar feedback não merece seu pensamento.
É preciso urgentemente pensar em uma forma de ter uma vida digna (financeiramente) sem gastar a juventude sob uma luz artificial.
Estamos evoluindo
Nunca achei que seria fácil falar sem pudores, mas sou obrigada a assumir que é deveras duro tentar não escolher as palavras que uso durante as respostas a cada pergunta incisiva do Igor. Sim, porque não devo pensar no que vou falar, devo apenas falar com uma sinceridade que não costumo ter nem comigo mesma.
Entretanto a etapa investigativa - ou como o Igor mesmo diz, a etapa de revirar as gavetas - tem sido produtiva por conta do formato adotado por ele: perguntas e respostas com um tema meio que determinado para cada encontro. Isso tem ajudado bastante para eu não ter a impressão de que preciso me derramar sobre o carpete por conta e risco, além de remexer em histórias que sequer lembrava.
E, na minha ansiedade habitual, penso que das três sessões que já tive está se desenhando um quadro de depressão.
Tá, pode ser que não, mas eu adoooooro justificar minhas próprias atitudes.
Porém uma coisa é certíssima: me sentirei muito melhor se for diagnosticada com alguma doença do que se não for. Afinal pelo menos assim saberei que tudo o que tenho passado não é em vão, e principalmente, que eu tenho solução!
Entretanto a etapa investigativa - ou como o Igor mesmo diz, a etapa de revirar as gavetas - tem sido produtiva por conta do formato adotado por ele: perguntas e respostas com um tema meio que determinado para cada encontro. Isso tem ajudado bastante para eu não ter a impressão de que preciso me derramar sobre o carpete por conta e risco, além de remexer em histórias que sequer lembrava.
E, na minha ansiedade habitual, penso que das três sessões que já tive está se desenhando um quadro de depressão.
Tá, pode ser que não, mas eu adoooooro justificar minhas próprias atitudes.
Porém uma coisa é certíssima: me sentirei muito melhor se for diagnosticada com alguma doença do que se não for. Afinal pelo menos assim saberei que tudo o que tenho passado não é em vão, e principalmente, que eu tenho solução!
A lei da contradição eterna
A última sexta-feira serviu para provar a lei do desinteresse x procura nos relacionamentos.
Explico.
Você já ouviu aquele clichê de que quando você decide não esperar mais nada de uma pessoa - já que ela lhe decepcionou várias vezes - é que essa pessoa ressurge?
Pois é. Me entristeci um punhado de vezes com um carinha que vinha fazendo o que todos os homens fazem quando creem que têm uma mulher sob seu reino: me enchia de desculpas para não nos vermos. Era o excesso de trabalho, as atividades que assumiu por um período de dois meses, o escasso tempo que restava e era preciso dedicar à família, e por aí vai. Não que tudo isso não seja verdade, porém o guapo visivelmente vinha encontrando tempo para sua vida social anyway. Eu excluída. E apesar disso, sempre que nos falávamos eu decidia esperar por mais um tempo, afinal, nada tenho a perder mesmo... que mentira.
Claro que criei expectativas com relação a esse homem; é inevitável e faz parte da natureza humana se apegar quando se encontra alguém especial. Entretanto será que é realmente especial, ou sou eu que estou mirando com lentes cor-de-rosa?
Apostei na segunda alternativa, e o coloquei na geladeira a fim de preservar minha moral.
Passados não muitos dias do resfriamento alheio, na sexta-feira pouco antes do meio-dia bipa meu celular, anunciando um SMS. Como naquela manhã eu estava combinando um encontro com amigas para logo mais à noite, jamais imaginei que não seria uma das meninas dando feedback. Mas era uma mensagem do referido, dizendo simplesmente que estava naquele momento em frente ao prédio onde trabalho.
Hm, tá, e daí? Que resposta ele esperava de mim?
Peguei o celular e liguei para ganhar tempo, e o que se seguiu foi uma conversinha molenga entremeada das desculpinhas padrão e... nada de concreto. WTF?! Eu tinha sido avisada às 11:30h de que o dito cujo estava a 50m de mim mas a ideia não era almoçarmos juntos? Tenha dó!
Em minha reação normal, diria que desceria para vê-lo pelo menos. Afinal, era uma oportunidade... mas não. Seria colocar a perder meu posicionamento e demonstrar que não importa o quanto eu não seja valorizada por ele, estaria sempre pronta. Bem capaz! Não há necessidade alguma de atropelar os fatos dessa maneira. Assim, disse-lhe que, sim, não estou contente com a falta de consideração dele e, sim, estava chateada, mas não estou mais. Porque sequer vale a pena estar chateada. E encerrei o telefonema.
Confesso que desci para almoçar com minha turma 15 minutos depois olhando para todos os lados, garantindo que ele não estava mais por ali. Porém contente comigo mesma por não me desestruturar na hora errada, e por nada além de ansiedade. E também por ter tomado a prova de que basta você se desapegar, que algo que você queria acontecerá. Ou mais ou menos isso.
Explico.
Você já ouviu aquele clichê de que quando você decide não esperar mais nada de uma pessoa - já que ela lhe decepcionou várias vezes - é que essa pessoa ressurge?
Pois é. Me entristeci um punhado de vezes com um carinha que vinha fazendo o que todos os homens fazem quando creem que têm uma mulher sob seu reino: me enchia de desculpas para não nos vermos. Era o excesso de trabalho, as atividades que assumiu por um período de dois meses, o escasso tempo que restava e era preciso dedicar à família, e por aí vai. Não que tudo isso não seja verdade, porém o guapo visivelmente vinha encontrando tempo para sua vida social anyway. Eu excluída. E apesar disso, sempre que nos falávamos eu decidia esperar por mais um tempo, afinal, nada tenho a perder mesmo... que mentira.
Claro que criei expectativas com relação a esse homem; é inevitável e faz parte da natureza humana se apegar quando se encontra alguém especial. Entretanto será que é realmente especial, ou sou eu que estou mirando com lentes cor-de-rosa?
Apostei na segunda alternativa, e o coloquei na geladeira a fim de preservar minha moral.
Passados não muitos dias do resfriamento alheio, na sexta-feira pouco antes do meio-dia bipa meu celular, anunciando um SMS. Como naquela manhã eu estava combinando um encontro com amigas para logo mais à noite, jamais imaginei que não seria uma das meninas dando feedback. Mas era uma mensagem do referido, dizendo simplesmente que estava naquele momento em frente ao prédio onde trabalho.
Hm, tá, e daí? Que resposta ele esperava de mim?
Peguei o celular e liguei para ganhar tempo, e o que se seguiu foi uma conversinha molenga entremeada das desculpinhas padrão e... nada de concreto. WTF?! Eu tinha sido avisada às 11:30h de que o dito cujo estava a 50m de mim mas a ideia não era almoçarmos juntos? Tenha dó!
Em minha reação normal, diria que desceria para vê-lo pelo menos. Afinal, era uma oportunidade... mas não. Seria colocar a perder meu posicionamento e demonstrar que não importa o quanto eu não seja valorizada por ele, estaria sempre pronta. Bem capaz! Não há necessidade alguma de atropelar os fatos dessa maneira. Assim, disse-lhe que, sim, não estou contente com a falta de consideração dele e, sim, estava chateada, mas não estou mais. Porque sequer vale a pena estar chateada. E encerrei o telefonema.
Confesso que desci para almoçar com minha turma 15 minutos depois olhando para todos os lados, garantindo que ele não estava mais por ali. Porém contente comigo mesma por não me desestruturar na hora errada, e por nada além de ansiedade. E também por ter tomado a prova de que basta você se desapegar, que algo que você queria acontecerá. Ou mais ou menos isso.
Já começamos com um problema
Desde o primeiro encontro até o próximo haverá um intervalo de 10 dias, já que estarei viajando no começo da semana que vem.
O problema? Já estou com um grau de ansiedade sem tamanho para colocar a mão na massa. Esses 10 dias serão uma eternidade e a ansiedade será incrementada exponencialmente até lá.
O problema? Já estou com um grau de ansiedade sem tamanho para colocar a mão na massa. Esses 10 dias serão uma eternidade e a ansiedade será incrementada exponencialmente até lá.
A caixinha de lenços
Uma das sensações mais aliviantes do mundo é levantar uma bandeira branca esfarrapada e assumir: sim, eu preciso de ajuda.
Isso foi o que decidi fazer na semana passada, quando aceitei a indicação de um psicoterapeuta que caiu do céu durante uma das frequentes conversas de cunho existencial que tenho com uma grande amiga. Por pelo menos 5 anos - se não mais - fiz de tudo para não encarar um divã ou coisa que o valha. Insisti nos mesmos erros, cometi outros, tentei acreditar firmemente no poder da minha mente, busquei refúgio naquilo que aprendera na Bíblia, fiz muita besteira, me agarrei nos galhos dos princípios que sempre ouvi e também na bagagem que criei ao longo da vida até que... CRECK! Os galhos eram frágeis, se quebraram e caí na correnteza.
Quase me afoguei num mar povoado por desilusões, decepções e algumas espécies de maldades; bebi água sem querer, aumentei o seu volume com minhas lágrimas sempre discretas e já não via terra firme, sempre aguardando a próxima puxada de tapete.
Dramático? Pois é.
É assim que se sente uma pessoa terrivelmente frustrada.
E, cansada de fingir que isso passaria com o tempo, aceitei que há problemas psíquicos que não venceria sozinha. Daí decidi procurar um psicanalista, psiquiatra, psicólogo, sei lá! Meu conhecimento dessas áreas é praticamente nulo, confesso. De tão lógica e exata que é minha linha de raciocínio tecnológico, nunca soube diferenciar.
Então ontem tive a primeira consulta, a de avaliação. Ao entrar na pequena sala branca me deparei com um sofá pequeno, de dois lugares. Em frente a ele uma poltrona da mesma cor do sofá (um amarelo queimado que deve ter a ver com cromoterapia, já que a cor traz aconchego) e na mesinha lateral aquilo que eu sempre temi encontrar em um consultório: uma caixa com lenços de papel. Imediatamente pensei: "em breve me encontrarei em prantos na frente de um semi-desconhecido, falando sobre todos os traumas que não tenho coragem de contar nem para os amigos mais próximos". Ao menos não com tanta franqueza ou completeza. E ali estavam os lenços do psicólogo, símbolo máximo da derrota emocional de um indivíduo.
Passado esse fatídico encontro e o raciocínio automático - coisa que durou ao todo uns 5 segundos - continuei olhando em volta a fim de me familiarizar com o local: uma mesa de jantar preta, encostada em uma parede agradavelmente pintada de vermelho, mesa essa onde deixei minha bolsa antes de sentar no sofá. Sim, é apenas um sofá! Nada de divã, ufa! Pela janela ao meu lado, as árvores do bairro Moinhos de Vento e passarinhos felizes pela linda tarde de sol que a cidade recebia depois de semanas cinzentas.
- Então, vamos lá, diga-me por que você está aqui - falou o psicólogo ao sentar na poltrona à minha frente. Ele é como minha amiga descreveu: um rapaz (novinho!) muito simpático e visivelmente próximo da minha realidade. Que bom, pois meu segundo medo era ficar frente a frente com um psicanalista enfezado ou uma senhora cuja juventude ficou lá antes dos tempos da brilhantina. Enfim, meu medo era fazer terapia com quem pudesse trazer uma visão antiquada das coisas. Todavia ele me passou confiança imediatamente; e me refiro a confiança no sentido de cumplicidade, entende?
Bem, me sentia estranha ao falar de frustrações que me afligem a alguém que até então não me conhecia. Afinal, na maioria das vezes sou eu quem ouve as agruras alheias, tentando aconselhar e oferecer meu ombro. É difícil receber atenção genuína, o que não deixa de ser uma das minhas frustrações a tratar. Apenas uma delas. Mas falei mais do que esperava, o que foi surpreendente.
Após um overview do meu caso e do psicólogo ter explicado qual é o ramo da psicoterapia com que ele trabalha, "fechamos um contrato", ou seja, entendi que o seu método é o mais adequado para tentar resolver essa pessoa mal formada emocionalmente que escreve. Então vamos de Terapia Cognitiva Comportamental nos próximos meses (serão apenas meses?), para ver se é possível reencontrar o caminho das pedras.
Não vou mentir que já estou confiante, pois pago pra ver. Literalmente. E pagarei caro, inclusive tendo que me reorganizar financeiramente para quitar as consultas - o que não deixa de ser bom, pois sem um estímulo concreto eu não conseguiria largar algumas más práticas de esbanjamento - porém vou me dedicar a esse período com toda a boa vontade do mundo, afinal o interesse é meu.
E como parte do processo de desconstrução emocional, vetei a mim mesma o direito de pensar. Se na maioria das vezes em que tentei encontrar as respostas me ferrei, entendi errado ou mesmo meti os pés pelas mãos, não será agora que fará diferença. Assim, até a terapia começar de fato e passar a produzir resultados, vou procurar viver um dia por vez sem neuras e sem me importar. Não será fácil, eu sei. Só que me despi do velho exoesqueleto naquele consultório, e estou em transição. É proibido continuar calcificando os mesmos problemas. É no mínimo inteligente.
Por fim, espero que escrever nesse espaço ajude-me a entender tudo o que acontecerá daqui pra frente. Não é todo dia que se decide mexer no lado B da vida - o lado da alma.
Isso foi o que decidi fazer na semana passada, quando aceitei a indicação de um psicoterapeuta que caiu do céu durante uma das frequentes conversas de cunho existencial que tenho com uma grande amiga. Por pelo menos 5 anos - se não mais - fiz de tudo para não encarar um divã ou coisa que o valha. Insisti nos mesmos erros, cometi outros, tentei acreditar firmemente no poder da minha mente, busquei refúgio naquilo que aprendera na Bíblia, fiz muita besteira, me agarrei nos galhos dos princípios que sempre ouvi e também na bagagem que criei ao longo da vida até que... CRECK! Os galhos eram frágeis, se quebraram e caí na correnteza.
Quase me afoguei num mar povoado por desilusões, decepções e algumas espécies de maldades; bebi água sem querer, aumentei o seu volume com minhas lágrimas sempre discretas e já não via terra firme, sempre aguardando a próxima puxada de tapete.
Dramático? Pois é.
É assim que se sente uma pessoa terrivelmente frustrada.
E, cansada de fingir que isso passaria com o tempo, aceitei que há problemas psíquicos que não venceria sozinha. Daí decidi procurar um psicanalista, psiquiatra, psicólogo, sei lá! Meu conhecimento dessas áreas é praticamente nulo, confesso. De tão lógica e exata que é minha linha de raciocínio tecnológico, nunca soube diferenciar.
Então ontem tive a primeira consulta, a de avaliação. Ao entrar na pequena sala branca me deparei com um sofá pequeno, de dois lugares. Em frente a ele uma poltrona da mesma cor do sofá (um amarelo queimado que deve ter a ver com cromoterapia, já que a cor traz aconchego) e na mesinha lateral aquilo que eu sempre temi encontrar em um consultório: uma caixa com lenços de papel. Imediatamente pensei: "em breve me encontrarei em prantos na frente de um semi-desconhecido, falando sobre todos os traumas que não tenho coragem de contar nem para os amigos mais próximos". Ao menos não com tanta franqueza ou completeza. E ali estavam os lenços do psicólogo, símbolo máximo da derrota emocional de um indivíduo.
Passado esse fatídico encontro e o raciocínio automático - coisa que durou ao todo uns 5 segundos - continuei olhando em volta a fim de me familiarizar com o local: uma mesa de jantar preta, encostada em uma parede agradavelmente pintada de vermelho, mesa essa onde deixei minha bolsa antes de sentar no sofá. Sim, é apenas um sofá! Nada de divã, ufa! Pela janela ao meu lado, as árvores do bairro Moinhos de Vento e passarinhos felizes pela linda tarde de sol que a cidade recebia depois de semanas cinzentas.
- Então, vamos lá, diga-me por que você está aqui - falou o psicólogo ao sentar na poltrona à minha frente. Ele é como minha amiga descreveu: um rapaz (novinho!) muito simpático e visivelmente próximo da minha realidade. Que bom, pois meu segundo medo era ficar frente a frente com um psicanalista enfezado ou uma senhora cuja juventude ficou lá antes dos tempos da brilhantina. Enfim, meu medo era fazer terapia com quem pudesse trazer uma visão antiquada das coisas. Todavia ele me passou confiança imediatamente; e me refiro a confiança no sentido de cumplicidade, entende?
Bem, me sentia estranha ao falar de frustrações que me afligem a alguém que até então não me conhecia. Afinal, na maioria das vezes sou eu quem ouve as agruras alheias, tentando aconselhar e oferecer meu ombro. É difícil receber atenção genuína, o que não deixa de ser uma das minhas frustrações a tratar. Apenas uma delas. Mas falei mais do que esperava, o que foi surpreendente.
Após um overview do meu caso e do psicólogo ter explicado qual é o ramo da psicoterapia com que ele trabalha, "fechamos um contrato", ou seja, entendi que o seu método é o mais adequado para tentar resolver essa pessoa mal formada emocionalmente que escreve. Então vamos de Terapia Cognitiva Comportamental nos próximos meses (serão apenas meses?), para ver se é possível reencontrar o caminho das pedras.
Não vou mentir que já estou confiante, pois pago pra ver. Literalmente. E pagarei caro, inclusive tendo que me reorganizar financeiramente para quitar as consultas - o que não deixa de ser bom, pois sem um estímulo concreto eu não conseguiria largar algumas más práticas de esbanjamento - porém vou me dedicar a esse período com toda a boa vontade do mundo, afinal o interesse é meu.
E como parte do processo de desconstrução emocional, vetei a mim mesma o direito de pensar. Se na maioria das vezes em que tentei encontrar as respostas me ferrei, entendi errado ou mesmo meti os pés pelas mãos, não será agora que fará diferença. Assim, até a terapia começar de fato e passar a produzir resultados, vou procurar viver um dia por vez sem neuras e sem me importar. Não será fácil, eu sei. Só que me despi do velho exoesqueleto naquele consultório, e estou em transição. É proibido continuar calcificando os mesmos problemas. É no mínimo inteligente.
Por fim, espero que escrever nesse espaço ajude-me a entender tudo o que acontecerá daqui pra frente. Não é todo dia que se decide mexer no lado B da vida - o lado da alma.
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