Bons ventos sopraram em outubro

Lembro que passei o mês de setembro inteiro cantarolando "Wake me up when september ends", do Green Day. Estava estranhamente ansiosa pelo término de um mês bastante agitado - e não é que setembro não estava sendo bom, pelo contrário - mas algo me agoniava. Algo que não soube traduzir em palavras. Algo que sequer pude esquematizar na mente. Simplesmente eu queria ver a cor de outubro!

Bom, minha surpresa foi ver o quanto esse desejo se materializou na minha vida e-xa-ta-men-te no finalzinho do mês. Nas últimas horinhas de setembro se iniciou uma história que tem feito meus dias mais felizes, através de uma pessoa incrível que conheci naquele dia 30 de setembro. Fico até arrepiada ao pensar nessa estranha coincidência de data! O fato é que minha sorte virou junto com a folhinha do calendário.

Não serei uma menininha que credita toda a felicidade do mundo a um relacionamento, é claro, muito embora é normal que nos sintamos fortalecidos ao saber que existe alguém do outro lado do telefone que nos quer bem, nos deseja e ainda por cima combina muito conosco. É assim que me sinto: grata por ter uma chance diferente de tudo de ruim que já vivi.
E disse que não creditarei felicidade eterna a essa [ainda nova] história porque além dela existe a minha vida cotidiana (e os velhos problemas). Tenho consciência de que ainda preciso trabalhar muitos aspectos da minha personalidade na terapia e isso está cada vez mais evidente ao longo das sessões. Ainda assim estou contente porque vejo uma luz no fim desse túnel confuso que sou, pois praticamente tudo o que o Igor me explica faz todo o sentido. Como é bom estudar a própria mente! E o mais fascinante é encontrar respostas para tudo o que me aflige. Claro que os pontos estão sendo estudados em doses leves e muito aos pouquinhos, mas o overview do que vem por aí está me estimulando muito.

Enfim: não escrevi mais desde que o mês virou, coincidentemente. Seria porque não estava necessitando organizar as ideias? Será que é porque estou me apoiando em outras ferramentas (meu caderninho da terapia, minhas escolhas acertadas, meu foco nos fatos instead of minha subjetividade)? Talvez porque a vida esteja me dando uma nova oportunidade de fazer direito o que sistematicamente eu fazia do jeito errado, ou seja, redescobrindo o prazer de uma relação saudável? Ou então porque possivelmente esteja apaixonada? Não sei. Penso que é um pouco de cada coisa.

Além disso, o mês de outubro foi gratificante em outros aspectos. Recebi um aumento de salário na empresa, sinal de reconhecimento. E veja só: um reconhecimento que eu não esperava nesse ano, já que vinha me sentido subutilizada, pouco motivada e bastante culpada pela baixa no rendimento. Estava me cobrando muito a respeito, mas sem forças para mudar. Quando menos esperei, recebi um feedback super positivo do meu gestor. E tal situação veio exatamente ao encontro do que o Igor me falara no início daquela semana: que eu deveria me focar nos fatos, não na minha interpretação subjetiva deles. O que isso quer dizer? Todo o mal estar que eu vinha sentindo e descrevi acima era produto da minha visão da situação em que me encontrava na empresa. O feedback positivo serviu justamente para provar que eu estava errada, maquinando percepções inexistentes.
O mês também serviu para reafirmar o quanto tenho amigos valiosos. Mesmo que alguns deles sejam relativamente recentes, são pessoas com quem posso contar veramente. Tão reconfortante!

Importante! O mês que terminou há pouco também me proporcionou o resgate de uma conversa que há muuuuuito tempo eu precisava ter com uma pessoa do passado. Sabe aquele papo de histórias inacabadas por falta de diálogo? Quando tu sabes que precisava dizer e ouvir palavras para finalmente ficar em paz? E sabe quando tu achas que jamais conseguirá resolver a questão? Pois resolvi. Ou melhor, resolvemos. E diferentemente do que eu pensava, reabrir o baú para revisitar as lembranças não foi ruim (ao menos para mim), mas sim serviu para reacomodar los recuerdos organizadamente, com anotações que explicam cada episódio, para finalmente poder guardar o baú em paz.

Diante de tudo isso, nem me importei em estar um ano mais velha. Além do meu aniversário, esse mês abrigou experiências incríveis que me fazem acreditar que de fato nosso ano novo pessoal inicia quando fazemos aniversário.

Ah! Ainda no meio de outubro fui ao show do Green Day em Porto Alegre. Nunca foi tão bom cantar a música de que falei no início deste texto a plenos pulmões. =) Como é bom quando tudo faz sentido.
Como é bom ver sentido na vida.

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